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Genival Lacerda – O forró perde o humor em duplo sentido que nos alegrava do ídolo

Maurício Ferigato 7 de janeiro de 2021

Genival Lacerda – O forró perde o humor em duplo sentido que nos alegrava do ídolo

Genival Lacerda é muito mais do que só um artista, é muito mais do que um dos artistas iniciantes no forró e defensores do ritmo nordestino que ganhou o Brasil.

Genival era muito mais do que o cunhado do Jackson do Pandeiro, era muito mais do que o rei das músicas em duplo sentido, era muito mais que um humorista nordestino e era um artista que fez do forró seu estilo musical e percorreu todo o país em mais de 70 anos de carreira junto com outros ídolos como Luiz Gonzaga, o Rei do Baião e Gonzaguinha por exemplo.

Compositor de “Severino Xique Xique” (do refrão “ele tá de olho é na butique dela”, uma parceria com João Gonçalves), hit que estourou no Brasil todo em 1975 e vendeu mais de 800 mil cópias e o forró chora a despedida de um dos grandes, um artista gigantesco nascido em Campina Grande (Paraíba) que em 1964 chegou no Rio de Janeiro justamente no dia em que foi instaurado o golpe militar no Brasil.

Genival Lacerda nos deixou aos 89 anos vítima de complicações desse maldito vírus chamado “Covid-19”.

Genival tinha um apelo popular enorme. Criava canções que se conectavam ao dia a dia, jocosas, que espumavam duplos sentidos. Era chamado de rei da munganga e não era por acaso. Era divertido, de papo, de entrevista, de composição, de ver no palco, em ação. Vale a dica: assista ao documentário “O Rei da Munganga”, de Carolina Paiva, lançado em 2008 e que segue uma turnê de Genival Lecarda e traz depoimentos de gente como Elba Ramalho e Dominguinhos.

Lacerda vendeu discos a rodo (e gravou mais de 70 álbuns ao longo da vida), quando discos ainda vendiam no Brasil. É importante reforçar a relevância de Genival Lacerda (ao lado de gigantes como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jacinto Silva, Sandro Becker) para a música nacional e para a popularização do forró como gênero e expressão artística de raízes extremamente brasileiras.

Se hoje o gênero (transformado pelo passar das décadas e pelo novo mercado da música pop, é claro) disputa com o sertanejo o topo das paradas, com nomes como Barões da Pisadinha, e também figura no Grammy Latino com releituras mais “raiz” de Mariana Aydar, isso se deve ao caminho aberto por Genival quando quando decidiu seguir os conselhos de Jackson do Pandeiro e partiu para o Rio de Janeiro.

O papel de Genival Lacerda é constantemente “esquecido” por historiadores da música brasileira, que costumeiramente pintam a arte do País das décadas de 1970 e 1980 com as cores de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Maria Bethânia, Gal Costa, além do gigantesco Roberto Carlos. Havia muito mais (os artistas do brega que o digam, não é?)…

Genival não era só duplo sentido, contudo. Seus personagens traziam um relato honesto do cotidiano de uma época: o trabalho pesado, a diversão entre bebidas, cigarros e dança. Retratava também a saudade e a distância de milhares de quilômetros de casa. “Quem Dera” (do álbum “Troque as Pilhas, Só Não Mate o Véio”, 1984), por exemplo, é um dos forrós mais deliciosos de se dançar sozinho.

O último álbum do mito foi gravado com seu filho João Lacerda, também artista que faz a mesma linha do seu pai e que leva essa brilhante história mais adiante para todos nós. O disco intitulado de “Pai e Filho” pode ser ouvido abaixo:

Hoje, o sorriso desaparece e a sanfona descansa, silenciosa, em luto. Genival Lacerda se foi, e aquele chapéuzinho ficará em nossas memórias para sempre, assista abaixo um dos últimos clipes gravado pelo artista alguns aos atrás com um tema bem atual, confira:

 

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