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Chrystian e Ralf nos explicaram porque as gravadoras são tóxicas para a arte da música em suas visões

Maurício Ferigato 12 de agosto de 2020

Chrystian e Ralf nos explicaram porque as gravadoras são tóxicas para a arte da música em suas visões

Se tem um assunto que percorre todas as rodas de assuntos relacionados a música de uma forma geral para os profissionais da área há tantos anos, esse assunto podemos dizer que é “A forma que a gravadora contribuí ou não em uma carreira do artista”, e com base nisso é que conversamos com a dupla Chrystian e Ralf, que muito provavelmente são os artistas que metralham o formato de trabalho das gravadoras baseados é claro nas suas experiências do passado.

Um dos principais pontos que Chrystian e Ralf defendem é o que justamente as gravadoras tentam não executar na carreira do artista que é a criação de sua própria identidade, é claro que as gravadoras querem é explorar todas as formas comerciais que certo artista possa render ao negócio em si para gerar dinheiro mesmo. Muitas vezes o artista cria todo o seu projeto baseado em toda a sua verdade artística e musical e nas reuniões com os diretores de gravadoras suas idéias são bloqueadas porque o próprio diretor “acha” que ele deveria apostar em outra música do projeto, e essas opiniões muito raramente são baseadas na experiência com o público final, que é quem realmente decide o que é sucesso e o que não é, até porque quando se fala do gosto popular todos sabemos que é impossível prevermos como o público irá receber o provável “sucesso”.

Ralf nos contou que em certo momento de suas carreiras em uma dessas reuniões um diretor de uma das maiores gravadoras do país achava que a dupla tinha que “trabalhar” outra música do disco porque seu filho, que era um jovem adolescente de uma grande cidade como São Paulo, capital e foi educado e criado a vida toda em apartamento gostava da outra música, que nada tinha a ver com a música de Chrystian e Ralf, e é claro que a dupla recusou essa proposta do diretor confiantes que eles estavam certos nas suas intuições e nos presentearam com “Nova York”, provavelmente uma das músicas com maior sucesso na carreira da dupla que era a preferida desse mesmo disco.

Esse exemplo citado pela dupla na nossa entrevista realizada dias atrás nos mostra o mesmo episódio que aconteceu na carreira do Queen, citado no filme “Bohemian Rapsody” e reproduzido com uma cena na qual Freddie Mercury e banda saíram da sala da gravadora e até quebraram a vidraça da sala do chefe da gravadora, e situações assim são mais do que cotidianas no meio da música, e cabe ao artista brigar por sua biografia, afinal é sua verdade que precisa transparecer em sua carreira artística acima de tudo. Gravadoras geram negócios, gravadoras não são a parte principal da história de cada um.

A dupla depois de pularem de gravadora em gravadora e divergirem de idéias em todas elas acabaram por terem as portas fechadas nelas a um ponto que chegaram a dizer para Chrystian e Ralf que ninguém iria mais produzir os discos da dupla e nem prensar as cópias, já tinha fechado o cartel até com as empresas de produção para que as portas fossem fechadas a dupla, porém não imaginariam que Ralf era muito mais inteligente e antenado com o que a música produzia no exterior e a história seguiu.

Como todos sabem, no início dos anos 2000 a dupla que havia se separado por um momento voltou, e voltaram com novidades como o “SMD & SMDV”, a dupla lançou o álbum “Chrystian e Ralf” o primeiro gravado em SMD e vendeu em apenas 8 dias mais de 200 mil cópias do SMD.

Foi platina em três semanas de vendas com o disco sendo vendido em bancas de revistas por um custo muito abaixo do que as gravadoras vendiam os CD’s na época.  Em bancas de revista o SMD era vendido a R$ 5,00 com uma revista inclusa contra os R$ 19,90 que as gravadoras vendiam os cd’s nas lojas especializadas.

Essa seria uma nova arma ao combate à pirataria de CDs, que eram febre naquele período e a grande dor de cabeça dos artistas, deixando de arrecadarem milhões em direitos autorais, mas infelizmente as grandes gravadoras preferiram por continuarem a usarem o formato dos CDs, e posteriormente Ralf vender a patente dos Smds a uma empresa interessada na idéia e que ele nos disse que ganhou um ótimo dinheiro inclusive por isso.

Chrystian e Ralf procuraram alternativas e encontraram para que sua carreira fosse o sucesso que é hoje, com a sua história cravada de vez na música sertaneja em todos os tempos, sendo reconhecidos por todos como artistas daqueles que irão se perpetuar dentro da história da música.

Listei aqui alguns dos motivos nos quais a dupla Chrystian e Ralf merece ser reverenciada muito além da sua arte que é a música, mas o lado comercial e profissional deles merece e muito serem reconhecidos por todos nós.

Ah!!! Se todos os artistas fossem assim…. Nossa música seria de verdade uma das melhores do mundo.

Confira abaixo um dos trechos que a dupla nos mostra um episódio dessa relação:

Posted by TV Sertanejo on Thursday, July 16, 2020

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