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“O Cantor do Sertão” merece todos os prêmios dos últimos anos

Resenha do Disco 13 de novembro de 2018

“O Cantor do Sertão” merece todos os prêmios dos últimos anos

Victor & Léo apresentam-se como uma dupla folk brasileira, com um estilo mesclando a música sertaneja de raiz, pop e rock. E isso já seria justamente palavras que definem a identidade musical dos irmãos que desde 2006 despontaram nacionalmente em nossa música.

Ambos são compositores, produtores, cantores e arranjadores, sendo eles mesmos os responsáveis pela maioria de seus trabalhos do início ao fim e é isso que faz o trabalho da dupla tornar-se tão especial e ao mesmo tempo com um cuidado maior para os seus fãs.

Uma prova disso é o atual trabalho “O Cantor do Sertão”, projeto esse gravado na cidade de Uberlândia-MG, e todas as 16 faixas são composições de Victor Chaves, que por alguns anos consecutivos foi o primeiro lugar em direitos autorais no Brasil, conforme levantamento do ECAD, e a dupla ainda teve nesse período de 12 anos de carreira a incrível marca de 7 indicações ao Grammy Latino como melhor álbum.

Os arranjos, a versatilidade dos timbres vocais são uma das características mais marcantes de Victor e Léo, mas como o gênero musical tornou-se cada vez mais pop com ritmos de arrocha e reggaeton nos últimos anos, os irmãos parecem ter desistido de acompanhar as mudanças do mercado sertanejo para apostar em algo maior em sua carreira.

A dupla trouxe ao mercado o novo disco com as músicas nas quais os irmãos cresceram cantando, sendo a essência da sua verdade musical com as raízes nitidamente sertanejas, gravando até uma polca paraguaia – ritmo do século XIX que migrou para o Brasil rural, além dos chamados chamamé e o rasqueado, e um grande exemplo disso é a faixa “Solidão a dois”, música que ganhou a participação especial de Chitãozinho e Xororó, e uma composição própria de Victor Chaves.

Todas as 16 faixas do disco são composições de Victor e algumas regravações são parte desse repertório como “Sem Você”, “Deus e eu no sertão” já conhecidas do grande público.

No projeto ainda podemos ouvir as participações de Almir Sater na faixa “Vagalumes”, Leonardo com “Minha Pequena” e Rionegro e Solimões em “Nós dois na madrugada”. O ponto alto do disco são “Rios de Amor”, “O bailar das estrelas” como destaque de músicas que nos remetem em um mundo que até pensamos não ser o nosso, mas é.

Nos últimos anos todo o mercado sertanejo seguiu por uma mesma linha musical, com os mesmos temas, mesmos arranjos, quase sempre as mesmas interpretações inclusive para atender a demanda rápida de era digital na internet, aonde a velocidade e ao mesmo tempo necessidade de gerar conteúdo o tempo todo pareceu tornar-se uma obrigação e na contramão disso vemos Victor & Léo nos trazendo o ouro do estilo sertanejo, com canções e arranjos nos quais a dupla se empenhou até um certo ponto tão forte que eles mesmo consideram esse disco um dos trabalhos da vida deles, para se colocar na estante e ter orgulho de ter contado esses poemas em forma de música.

Letras, arranjos, produção e interpretação dos artistas sem parcerias mostram o quanto esse trabalho merece ser enaltecido, e também nos apresenta um trabalho que extraiu o máximo dos seres humanos Victor Chaves e Léo Chaves com toda a certeza do mundo, além da coragem de apostar e gravar o que eles querem e não o que o mercado pede comercialmente.

Impossível não reconhecer que nos últimos anos raríssimos trabalhos foram feitos dessa forma e nós os amantes da música, seja ela de raiz ou moderna só temos que agradecer aos artistas por nos trazerem essa oportunidade de purificar nossos ouvidos em tempos que pouco se contribui a história eternizada a nossa música sertaneja.

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