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A real importância do “AMIGOS” na música sertaneja, e agora nova geração???

Maurício Ferigato 10 de maio de 2019

A real importância do “AMIGOS” na música sertaneja, e agora nova geração???

Grande parte do público recebeu a notícia da volta do “Amigos” como apenas a volta de um projeto saudosista que vai unir novamente no palco Chitãozinho & Xororó, Leonardo e Zezé di Camargo & Luciano, mas não é só isso não, a volta do projeto “Amigos” vai causar uma reviravolta no mercado sertanejo atual e fica fácil enxergar isso na conjuntura atual da música.

Já logo de cara poderemos dividir os profissionais de várias áreas do show business da música sertaneja em duas fases “Os que viveram a época do AMIGOS e ainda assistiram alguns de seus shows” com aqueles que “Apenas sabem pela boca dos outros o que foi o AMIGOS”, e para ilustrar isso fica fácil quando fazemos as contas recordando datas disso tudo. Quem viveu a época do “Amigos” tem facilmente acima de 30 anos de idade e quem só ouviu falar tem abaixo disso, já que o projeto veio com um espaço de 20 anos aproximadamente sem estar nos palcos do Brasil todo.

Quando surgiu o especial “Amigos” na Rede Globo tínhamos naquele momento os já consagrados Chitãozinho e Xororó, com os nomes do momento que eram Leandro e Leonardo e os postulantes Zezé di Camargo e Luciano sendo ainda o nome mais fraco entre os três artistas do projeto, e foi sucesso acima do que os próprios criadores poderiam imaginar, tanto que ainda houve o “Amigos 2” e começaram a surgir as participações especiais como João Paulo e Daniel, Gian e Giovani (artistas esses que estavam no seu maior auge), e o projeto só foi aos poucos perdendo força após o falecimento de Leandro, que era um dos pilares entre os seis artistas do projeto.

A partir desse momento a estrada que seguia a música sertaneja foi-se alterando aos poucos e novos artistas começariam a surgir como Bruno e Marrone, Edson e Hudson, Rick e Renner e por aí vai surgir mais nomes que não convém agora mencionarmos. E após também dessa fase a música sertaneja teve o START inicial do chamado “Sertanejo Universitário”, que surgiu bem no comecinho com César Menotti e Fabiano, Victor e Léo, para depois virem João Bosco e Vinícius, Fernando e Sorocaba, Hugo Pena e Gabriel e mais um pouquinho para frente Jorge e Mateus, João Neto e Frederico, Maria Cecília e Rodolfo, Munhoz e Mariano e assim em diante.

Nesse período dos 20 anos sem o “Amigos” muita coisa aconteceu como Leonardo em carreira solo, com poucos sucessos da carreira solo emplacados e na grande maioria as músicas de Leandro e Leonardo ainda eram o DNA de Leonardo.

Chitãozinho & Xororó tiveram antes do “Amigos” já músicas eternizadas que até hoje são cantadas por todos como “Fio de Cabelo”, “Evidências” que era novinha na época (Evidências surgiu em 1989) e várias outras, só que na pausa dos 20 anos surgiram “Sinônimos” com Zé Ramalho e algumas outras com destaque.

Mas lembram quando falei acima que a dupla Zezé di Camargo e Luciano naquela época ainda era o patinho feio da turma ?? Pois bem, existiam alguns sucessos dos irmãos Camargo, mas nada comparado agora com os últimos 20 anos (esse período é que veio sim os grandes sucessos da dupla), e é o que vai fazer a diferença “AGORA” no novo repertório. Se antes a dupla tinha “É o Amor”, “Menina Veneno”, agora vamos de cara ver grandes sucessos como “Dois Corações e Uma História”, “Toma Juízo”, “Vem Ficar Comigo”, “Pior É Te Perder”, “Será Que Foi Saudade”, “Flores Em Vida” entre outras. Se antes eram Chitãozinho e Xororó quem segurava a onda com o repertório, agora a função está dividida entre os irmãos Lima e Camargo com o mesmo peso.

E agora a nova geração de compositores, produtores musicais, arranjadores e cantores com menos de 30 anos que só ouviram falar superficialmente do “Amigos” irão conseguir continuar produzindo seus atuais materiais e suas criações na mesma linha que estavam nos últimos anos??? Todo mundo meio copiando o outro na cara dura, seja com arranjos musicais, com composições e até o jeito de cantar inspirado em Jorge (Jorge e Mateus) por exemplo???

Sabemos que muita coisa boa tem sido feita ultimamente mas não com o real reconhecimento merecido, justamente porque os integrantes do “Amigos” marcaram época e foram inspiração para uma geração repleta de ótimos profissionais, o que não é mais visto hoje em dia. E não é visto justamente pela velocidade do mercado atual que precisa produzir, produzir, produzir e lançar correndo porque senão o seu vizinho te ultrapassa e antes era diferente, qualquer disco era trabalhado por pelo menos dois anos e no máximo 3 ou 4 músicas desses chegariam as rádios e televisões. Hoje com a velocidade da internet e a demanda de artistas surgindo a todo momento, quem dorme no ponto deixa o bonde passar.

Eu acredito fielmente que os atuais profissionais da indústria atual da música sertaneja devem usar o “Amigos” como uma forma de reciclagem em tudo, porque os artistas são os maiores nomes da nossa música sertaneja atualmente sem dúvida nenhuma e abaixo deles é que vem outros como Bruno e Marrone, Jorge e Mateus, Luan Santana e por aí vai. Não é verdade nova geração???

Não pensem que o “Amigos” voltou só por causa de sucesso de público e dinheiro, o projeto tem muito mais a oferecer e pode novamente mudar o caminho da música sertaneja, assim como um trilho de trem, que é só virar a alavanca para que sigam outro caminho. O apelo de mídia e crítica agora será o ponto alto do projeto, sem precisar dos jabás da nova geração, vocês poderão ver como esses nomes agora irão manter-se sempre em evidência e é o ano de ouvir falar muito de Chitãozinho, Xororó, Leonardo, Zezé di Camargo, Luciano seja ele qualquer assunto relacionado aos mestres. Por isso separei alguns tópicos explicando:

  • Isso acontece bem na época que Chitãozinho e Xororó irão completar 50 anos de carreira com projetos próprios por vir (filme, livro, dvd comemorativo, etc).
  • Surge o projeto logo após Leonardo emplacar sucesso de renda com o Cabaré 1 e 2.
  • Zezé di Camargo e Luciano nos últimos anos “não” lançaram um DVD forte (os fãs estão carentes esperando).
  • Aconteceu a volta de Sandy e Júnior como um laboratório de pesquisa para os mestres (visto que Sandy e Junior não são nem 20% dos ídolos juntos).
  • O período nosso musical está na mesmice e saturado entre arranjos, composições e o jeito de cantar de grande parte da nova geração (todo mundo Jorgeando, Gustaveando, Cristianando, etc) e não criam suas próprias identidades.
  • Já teve o período da mulherada no sertanejo e os nomes destacados ainda são os mesmos.
  • O público que agora tem tantas informações sobre música não aceita mais qualquer coisa, e está se especializando em qualidade musical aos poucos.
  • O que movimenta grandes somas de bilheteria são os eventos como Villamix, Festeja, entre outros.

E se eu for listar aqui todos os itens a leitura vai consumir grande parte do seu dia e realmente já aconteceu de tudo no mercado sertanejo dos últimos anos, mas estamos felizes com a volta dos “Amigos”, e não podemos negar isso tudo. E que assim seja, porque a música sertaneja agradece, estamos carentes de ídolos de verdade, os chamados ídolos eternos e não os ídolos de uma década, e os mais jovens precisam sim olhar com muita atenção e absorver o que ídolos eternos tem a nos oferecer.

2 Comntários
  1. Darlan Mello

    "Amigos" foi muito importante para a música sertaneja e para a TV brasileira. Porém, esse retorno do projeto vem de encontro às uma porção de outros projetos que fizeram sucesso no passado e agora estão buscando o sucesso novamente. Acredito que esse projeto é mais marketing televisivo do que musical, haja visto que a Rede de TV que propõe a volta de "Amigos" vem sofrendo uma queda na sua audiência. Se o projeto for uma simples cópia do que foi há 20 anos, não acrescentará em nada para o meio musical e não dará a audiência esperada na TV. Mas se vier com uma nova proposta, nova roupagem e surpreender de alguma forma, será sucesso novamente.

  2. Leandro Dotini

    Só sei que tenho uma puta saudade das guitarras dobradas bem gritadas “estilo Piska” , violinos deslizantes que pareciam chorar, pianos elétricos e timbres espaciais! Parece antiquado Mas se for pra ser “Serei” .. quanto aos mestres não tenho nada a acrescentar, apenas sentar, assistir, lacrimejar e aplaudir

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