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Idas e Voltas de duplas valem a pena depois que o barco já afundou e a separação aconteceu?

Colunistas Maurício Ferigato 23 de novembro de 2018

Idas e Voltas de duplas valem a pena depois que o barco já afundou e a separação aconteceu?

A história começa a se tornar uma arte cada vez mais presente no meio sertanejo. Uma determinada dupla de sucesso começa a ter alguns contratempos na carreira atual e resolve de uma forma completamente educada e gentil encerrar as atividades da dupla perante ao público, e vem comunicados bonitos, bem redigidos com as famosas frases clichês “A dupla encerra uma parceira de X anos”, “Todas as datas já marcadas serão cumpridas”, “Desejamos sucesso aos artistas X e Y em suas novas trajetórias”, “E encerra-se um ciclo”.

Normalmente depois desse comunicado toda a história construída pelos artistas entra na história e nas lembranças do passado, com muitos funcionários do escritório já informados que estarão desempregados e é preciso uma nova recolocação no mercado, a venda de produtos físicos de estrutura e a divisão de bens, o acerto de contas aos profissionais registrados e o fim da empresa entre sociedade com algumas pessoas, e nesse período é mais do que comum um dos integrantes da dupla aproveitar o espaço vago e anunciar sua carreira solo, que em todas as vezes não vem acompanhada de nenhum projeto, e entra nesse período a famosa arte do “Vamos apagar o fogo da forma que der, e para não esfriar o nome da dupla já colocar na praça um novo disco”, que muitas vezes nem tem aquela atenção especial para a montagem da linguagem do artista e do seu repertório, mostrando a sua verdade, e esse disco sempre é nulo, daqueles que nada se aproveitará no futuro.

Toda a mídia especializada procura saber todas as informações sobre o fim da dupla e muitos boatos surgem, até que os verdadeiros profissionais se calam já que não conseguem nunca as verdadeiras informações e os chamados “aproveitadores” inventam de tudo, manchando ainda assim mais a imagem das pessoas envolvidas no projeto. Esse é o chamado “Barco que afundou”, mas por que afundou???

Normalmente os motivos são os mesmos, aquela empresa já não estaria mais gerando lucros, estava muito tempo trabalhando no vermelho e a pressão só aumentou até que por algum motivo qualquer a dupla enxerga aquela possibilidade de encerrar naquele momento e os fãs (que nesse momento já não são tantos), mas os pseudo fãs, aqueles que só admiram o trabalho da dupla em bons momentos saem dando suas opiniões e etc., e esses são mais chatos ainda por quê na cabeça deles aquele determinado artista ainda está em “evidência eterna” e não vive uma crise financeira.

Já notaram que sempre a dupla nunca os dois integrantes estão com a mesma opinião formada e felizes pelo fim do projeto, um deles quer continuar e o outro não ???  Essa é a impressão que sempre fica realmente.

Mas já que o barco afundou e tinha um furo no casco desse barco, o que é mais preocupante e menos danos a chamada marca da nome (normalmente os nomes criados)??? A dupla anos depois fazer toda aquela mídia que estão voltando ou a dupla substituir um dos integrantes e formar uma nova dupla???

Que ninguém é obrigado a permanecer trabalhando juntos quando não se tem mais afinidade é fato, só que uma grande porcentagem dos sertanejos da geração passada faziam duplas com seus irmãos(as) ou algum tipo de familiar, mas no início dos anos 2000 as duplas são entre amigos e muitas vezes nem amigos são, o que futuramente pode-se ter a certeza que será mais do que comum uma grande porcentagem de duplas irem acabando mesmo, já que o laço familiar realmente segura muitas ondas que o laço de amizade não segura.

Existem as separações de duplas que foram e já voltaram como Edson e Hudson, Chrystian e Ralf, Gian e Giovani, Cleiton e Camargo entre outros, com as que substituíram um dos integrantes mantendo a carreira como Teodoro e Sampaio, Matogrosso e Mathias, Felipe e Falcão (esses até por várias vezes já entre novos integrantes), com artistas que até criaram novas marcas como Milionário e Marciano, Althair e Alexandre e Carreiro e Capataz. Ainda na geração dos anos 2000 as marcas Fernando e Sorocaba, Thaeme e Thiago (alguns dos que lembramos é claro da nova geração) tiveram a substituição de um dos integrantes, e vamos lembrar também daqueles que conseguiram ir em frente como artistas solo e tem relevante sucesso atualmente como Leonardo, Daniel, Michel Teló são bons exemplos disso. E, ainda aquela mescla que anda remando tentando emplacar como Hugo Pena, Rick, João Carreiro, Kléo Dibah entre tantos outros.
Mas, o mais chato é sempre surgirem nesse caminhos “boatos” sobre duplas que irão acabar que todos os anos surgem uma “possível separação” entre Jorge e Mateus (que já é uma coisa tão batida e tão sem graça) como a possível volta de Rick e Renner que são os recordistas de boatos todos os anos. Mas porque plantam isso ??? Qual a graça dessas fake notícias entrarem com tanta força no mercado sertanejo???

A experiência em todos esses casos é que depois que o barco teve seu casco furado e afundou nunca mais ele volta em sua plenitude após o conserto do casco. As voltas dos artistas nunca mais voltam ao estágio comercial do auge que se mantiveram por muitos anos e se a situação financeira dos artistas estiver naquele momento totalmente crítica a volta nem dura mais que 5 anos em sua esmagável maioria.

Vocês podem me dizer que Teodoro e Sampaio, Matogrosso e Mathias, Edson e Hudson, Chrystian e Ralf estão aí e continuam com a carreira andando, o que é realmente uma verdade, mas veja que em todos esses casos essas marcas só obtiveram sucesso de novo após essa linha dos 5 anos, que quando se ultrapassa vai embora, mas se não chegar a isso lascou.

A música precisa de uma renovação constante para crescer, e dia-a-dia as coisas mudam e o tempo que esses artistas permanecem “fora do mercado” em suas pausas deixam eles muitas vezes desatualizados comercialmente, e ficam de uma certa forma tão preocupante assim por culpa hoje da internet realmente, e a música é vista atualmente como um APP que se não atualizar frequentemente a tecnologia engole. Claro que antigamente isso era diferente e um artista ao lançar seu disco ou escolher uma música de trabalho tinha o período de até 1 ano para que ela se alastrasse em todo território nacional, já que a música era distribuída de forma manual e não como hoje em dia em que a distribuição é virtual, com a música sendo lançada em um certo horário e minutos depois o disparo já foi efetuado em diversas redes de internet e a velocidade em que tudo chega ao público é totalmente outra.

E quando os artistas fora do mercado voltam aos projetos antigos ainda pensam como antigamente e até eles atualizarem e aprender a nova forma de trabalho passam os anos e daí que o projeto entra em crise, já que as vendas no período de seis meses até vendem mais ou menos na linha entre o verde e o vermelho, e lucro nesse período não acontece e essa movimentação é gerida pelos fãs saudosos com vontade de rever seu ídolo (porém esse mesmo público não se liga que ele mesmo envelheceu) e esse fã não tem mais a mesma condição de sair e consumir as festas como era antigamente e o artista precisa de novo ir atrás de novas gerações de fãs, mas como conseguir isso se ele nem está atualizado na linguagem do momento que os fãs consomem???

Nesse item entra a soberba do artista antigo que acha que seu sucesso no passado segura toda a onda, e de novo ele não lança nada novo, querendo viver e viver do passado. É claro que essa corda irá estourar e entre sucessos do passado nesse período foram exaustivamente regravados pela nova geração, então ninguém mais consegue ouvir a mesma coisa e o quem foi o prejudicado ???

Que coisa né, o intérprete que lançou no passado e seria de alguma forma o “dono da música” totalmente prejudicado pela renovação, e as suas notáveis voltas, cercadas de muita mídia vão por água abaixo novamente.

Então a pergunta que fica é: A volta das duplas vale realmente a pena ??? Isso ajuda em quê na renovação da música ??? Esses chamados professores ainda conseguem dar aulas ??? Ou eles ainda podem ser constantemente vítimas de fake news sobre a volta ou até sobre a separação e sendo vítimas disso acabam perdendo totalmente o brilho do reconhecimento do público???

A lição que fica para todos os fãs disso é que um artista é só um artista no qual a pessoa deveria reconhecer seu devido valor pelo trabalho e não o fã de alguma forma tornar esse artista um Deus daqueles que nunca terá sua imagem prejudicada. Todo mundo é igual nesse mundo e todo mundo tem seu devido valor conforme sua história e a história está aí para ser escrita com muito cuidado, só assim um dia a pessoa torna-se exemplo para alguém.

 

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